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A invisibilidade da Mãe Atípica

No momento em que uma mulher se torna mãe atípica ela perde a sua identidade . Ela passa a ser vista como “Mãezinha Especial”, “Escolhida por Deus”, “Guerreira”, “Mãezinha Azul”, incansável, predestinada a uma vida de sofrimento e dor. O seu lado pessoa, que tem desejos, sonhos, aspirações, qualidades e defeitos como qualquer um, é esquecido e ela passa a ser vista como “nós”: a mãe e o filho deficiente. Essa mãe passa a viver uma rotina incansável de terapias, consultas, exames e cuidados com as AVD’s (Atividades de Vida Diária) do seu filho, sendo suas mãos, seus pés, sua voz, sua visão, seus ouvidos. Ela não tem direito a férias e muito menos a cometer erros, resultando em doenças físicas como gastrite, disfunções intestinais, problemas cardíacos entres outros, como também doenças psicológicas, síndrome do pânico, TOC, Síndrome do Pensamento Acelerado, Baixa Autoestima, Depressão que em muitos casos resultam em suicídio. Somos invisíveis para os poderes públicos. Não há políticas d...

Maternidade Atípica

Eu sou Imoni Marinho, mãe da Juliana, uma linda menina de 11 anos, também conhecida com UMA MÃE INDESISTÍVEL , esse nome veio de um blog que eu fiz quando descobrir que eu era mãe atípica. O nome surgiu da ministração da música da Pastora Ludmila Ferber – Nunca Pare de Lutar. Por ouvir os diversos prognósticos da minha filha e a frase “nunca descobrirão o que ela tem”! Eu decidir ser indesistível! Eu tinha UMA VIDA COMUM , desde moça sonhava com a maternidade, ainda solteira já havia escolhido o nome da minha filha – Júlia, já havia planejado sua vida, nossa vida! Aos 28 anos enfim engravidei, depois de dois anos de casada, o meu sonho enfim estava se realizando e para melhorar eu estava grávida de uma menina. A alegria transbordava em meu ser. Porém, com 34 semanas eu tive pré-eclâmpsia e uma cesária teve que ser feita. Juliana nasceu com 1.350g e 41 cm e desde então NADA MAIS FOI IGUAL ao que era antes. Fui apresentada a um mundo totalmente desconhecido, o mundo atípico! Bem cedo c...

Sobre a depressão...

Há alguns meses recebi o diagnóstico de depressão, o que fez o meu conceito sobre ela mudar completamente. Tudo é tão fácil de resolver quando o problema não é nosso, não é verdade? Sempre fui uma pessoa muito forte, não havia queixas no meu falar, meus problemas eram meus e de mais ninguém, porém como ninguém é de ferro eu também adoeci e no meu ponto de vista é uma das piores doenças que existe.  Quando alguém está morrendo com um câncer recebe dos que estão ao seu redor cuidados e palavras amigas, se possível promovem até a realização dos sonhos do doente, quando os sintomas aparecem é compreensível, logo é socorrido quando a dor insuportável vem e a morte do mesmo é dolorida porém compreendida. Com a depressão é diferente, quando os sintomas aparecem as pessoas criticam, quando a dor vem, elas desaparecem ou dizem "pensa positivo", sai dessa cama", " já vai começar?", como é horrível ter essa doença! Dói a alma, dói o corpo, é insuportável viver ...

Um novo olhar...

De azul: Eu (Imoni), ao meu lado Joana, de óculos Flaviana e Edilza ao seu lado. Há tempos não escrevo de forma mais pessoal, mas hoje desejo compartilhar com todos um pouco dos nossos momentos. Estamos vivendo dias de novidades e superação de desafios, dias de realização de sonhos.  Nasce de forma gradativa as Mães Coragem Indesistíveis, que é a soma do Movimento Mães Coragem com a Mãe Indesistível que sou eu. Muito mais que unir nomes estamos unindo um propósito, o de prestar auxílio as mães atípicas.  O Movimento Mães Coragem tem como idealizadora a Assistente Social e mãe, Flaviana Tertuliana, que é mãe de três, dentre eles uma menina e um menino com deficiência, há anos ela vem prestando assistência a mais de duzentas mães em Porto Velho - RO, assistência em forma de conselhos e informações, auxiliando-as na busca e conquistas dos direitos de seus filhos com deficiência.  Entrei no movimento em 2018 e hoje juntas estamos, com um propósito só: EMPODERAR E RESGATAR A M...

A Pessoa com Deficiência e o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana

1. Breves considerações acerca da dignidade da pessoa humana Em sua origem histórica, a ideia de dignidade,  dignitas , esteve associada à de  status , posição social ou a determinadas funções públicas. Dela decorriam certos deveres de tratamento. Dignidade, portanto, tinha uma conotação aristocrática ou de poder, identificando a condição superior de certas pessoas ou dos ocupantes de determinados cargos. Ao longo dos séculos, a dignidade incorporou-se à teoria dos direitos fundamentais, democratizou-se e assumiu uma dimensão igualitária. Assim, o reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelo Direito foram resultado da evolução do pensamento humano e seu conceito é encontrado na maioria das constituições redigidas após a Segunda Guerra Mundial. Pelo mundo afora, cortes constitucionais e internacionais têm apreciado casos de grande complexidade moral envolvendo o sentido e o alcance da dignidade da pessoa humana. Em sua compreensão atual, a digni...